LIDERANÇAS SE POSICIONAM CONTRA PRIVATIZAÇÃO DA PR 280

Lideranças empresariais da indústria, comércio, agronegócio e políticas promoveram um encontro na sede do Sindicomércio, em Pato Branco, para retomar o debate sobre a privatização da PR 280. As lideranças estão preocupadas com o futuro da economia regional, caso o processo de privatização da rodovia se torne realidade.  Por isso, o debate está sendo retomado, principalmente depois de um pedido da Amsop para que a pauta tenha continuidade.

Há 15 dias, o presidente da Amsop, prefeito de Coronel Vivida Frank Schiavini (PMDB), esteve na Casa Civil, numa audiência com Valdir Rossoni (PSDB) para tratar do assunto.
Em dezembro, as duas audiências públicas do Sudoeste, em Pato Branco e Francisco Beltrão, foram coordenadas por Rossoni.
O estudo apresentado pelo DER, nas audiências, estipulou que seriam necessários R$ 3,3 bilhões para manter o trecho de 285 quilômetros (de Realeza a Palmas, com seis pedágios) durante os 25 anos da concessão – até 2042. Estes valores foram considerados “superdimensionados” na reunião de Pato Branco.
O presidente do Sindicato Rural de Pato Branco e da Associação de Sindicatos Rurais do Sudoeste do Paraná (Assinepar), Oradi Caldato, disse que é preciso avançar, mas com cuidado para que a economia regional possa suportar esse impacto.
“Nos últimos 25 anos, o País cresceu em 273% no agronegócio, e o Sudoeste cresceu 179%, acima da média em toda a cadeia produtiva, e quando olhamos da porteira para fora, a estrutura é a mesma de 50 anos atrás”, afirmou o líder ruralista.
Oradi disse que é dever do Estado dar condições logísticas para o escoamento de toda a riqueza produzida no Sudoeste. “Já fomos condenados pelo Anel de Integração, que isolou o Sudoeste, e agora precisamos tomar atitudes em relação à privatização da PR 280, para não sermos cobrados pelas gerações futuras como os que inviabilizaram a economia regional “.
Para o presidente da Cacispar, o pato-branquense Jair Santos, “o debate tem que continuar; mas o que nos foi apresentado até agora não serve para o Sudoeste”.
No trabalho exposto pelo DER, seriam seis praças de pedágios, e cada uma custaria de R$ 5 a R$ 6 – poderia baixar caso houvesse concorrência entre consórcios. “Nesse preço, para o setor produtivo fica caro”, avaliou.

Vigilância e estudo
Para o presidente da Associação Empresarial de Francisco Beltrão, empresário Marcos Guerra, o momento “é de vigilância e estudo, para evitar que a região seja penalizada no futuro com tarifas exorbitantes de pedágio, como hoje ocorre em outras praças do Paraná; nós queremos informações que esclareçam a sociedade, para que ninguém seja pego de surpresa no futuro”.
O empresário Luiz Antunes, presidente da Associação Empresarial de Pato Branco, também se manifestou no encontro. Para ele é preciso mais transparência no processo, “o que até agora não aconteceu”, avaliou.
“Vamos criar uma comissão técnica, com profissionais especializados, para que os números sejam esclarecidos, porque os apresentados, no nosso entendimento, estão muito acima da realidade, e irão penalizar a região com tarifas muito altas de pedágio”, completou.
Lideranças políticas também participaram do encontro. O prefeito de Dois Vizinhos, Raul Isotton (PMDB), afirmou que a região tem problemas sérios não apenas na PR 280, como também a PR 281. “O Sudoeste precisa mudar esta realidade, sob pena de ficar para trás na história do Paraná, mas dentro da realidade econômica do momento”, destacou o prefeito.

Por: Betto Rossatti

Foto: DER

Presidente da Cacispar Jair Santos

Deixe um comentário